Problemas da influência humana na natureza

Argentina vai precisar sacrificar 100 mil castores. Os problemas da influência humana na natureza. (Programa a Alemanha e a música do dia 20/11/2016).Por Marcos Carneiro.Fontes: Ambiente Brasil, G1,UOL e conhecimento do autor.

Uma situação “fora de controle”. É assim que as autoridades argentinas avaliam o aumento na população de castores na província de Terra do Fogo, no extremo sul do país.
Por causa disso, um plano radical está sendo preparado – ele prevê o sacrifício de cerca de 100 mil indivíduos da espécie, que não é nativa da região.
Os castores foram levados para a área em 1946, vindos da América do Norte em 1946. Na época, a ideia é que esses animais fossem utilizados no comércio de peles.
O problema é que, devido à ausência de predadores naturais, como ursos e coiotes, esses roedores se reproduziram rapidamente, se tornando uma espécie invasora que, segundo ambientalistas, ameaça à floresta local.
De acordo com as autoridades argentinas, os roedores já destruíram uma área equivalente a duas vezes o tamanho da capital do país, Buenos Aires.
A estimativa é que a região abrigue hoje mais de 100 mil castores – o plano é erradicar a espécie na Terra do Fogo.
Ameaça ao ecossistema – Adrian Schiavini, responsável pela Estratégia Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras, disse à imprensa local que os castores serão sacrificados de uma forma “humana, rápida e efetiva”.
Ele explicou que a espécie também já causou um dano muito grande ao construir barragens no sistema de rios da região.
“O castor rói a árvore até derrubar, corta em pedaços e usa para comer e construir sua toca”, explicou Schiavini ao site Infobae.
“O que era um córrego de montanha se transforma em uma série de reservatórios de água parada, e muitos seres que viviam ali não podem mais se movimentar”, acrescentou.
Outro inconveniente causado pelos animais é que, ao contrário do que ocorre com as árvores da América do Norte, que podem voltar a crescer, as sul-americanas morrem depois de serem roídas por eles.
Além disso, as barragens que eles constroem produzem pântanos, nos quais muitas árvores são incapazes de crescer. Essas represas podem alcançar 100 metros de comprimento.
Schiavini contou que o plano é trazer caçadores especialistas em castores da América do Norte.
“A ideia é treinar um grupo de caçadores e escolher os melhores para que trabalhem em sete áreas piloto da Ilha Grande, na Terra do Fogo.”
Ele afirmou esperar que a maior parte dos castores seja sacrificada em até quatro anos.
Situação idêntica está acontecendo por aqui com as capivaras. Elas já são vistas até nos rios de Petrópolis. Sempre em família de quatro a cinco animais, esses também roedores, se adaptaram a ambientes de rios poluídos e, por falta de predadores, estão se tornando uma praga.
Em áreas agrícolas, destroem as plantações de milho, arroz e outras. Nas cidades tem criado muitos problemas, como em BH, onde elas se instalaram na Lagoa da Pampulha e estão transmitindo às pessoas a febre maculosa que é transmitida pelo chamado "carrapato-estrela". Esse animal tem como hospedeiros principais os cães, cavalos, as aves e capivaras. A doença se manifesta repentinamente acompanhada de vários sintomas, como febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, náuseas e vômitos.

A doença tem um ciclo de incubação que dura de cinco a dez dias, até se manifestar. Um dos maiores problemas apontados pelos médicos é o fato de que os sintomas se parecem com os de outras doenças, como a dengue. A demora no diagnóstico pode levar à morte.
Belo Horizonte já teve quatro casos confirmados de febre maculosa em residentes, segundo a secretária Municipal de Saúde. A última foi no dia 2 de setembro. Thales Martins Cruz, de 10 anos era lobinho e participava das atividades dos Escoteiros do Brasil, seção Minas Gerais, há sete anos. Uma delas aconteceu no dia 20 de agosto, no Parque Ecológico da Pampulha. A causa da morte foi confirmada nesta segunda-feira (12) por exames na Fundação Ezequiel Dias.
E porque elas apareceram nas cidades e estão se reproduzindo sem controle? É que criadores passaram a cultivá-las em cativeiro em busca de lucros pela venda da carne dos animais abatidos. Ocorre que não houve a aceitação esperada de sua carne pelo grande público. Então os criadores simplesmente as soltaram na natureza, sem qualquer controle. Elas procriam muito, de quatro a seis filhotes por vez e se adaptaram a margens de rios poluídos. Comem capim, gramíneas e outros vegetais abundantes nas margens dos rios e são bastante agressivas quando se sentem ameaçadas.
Portanto, ao perceberem a presença de Capivaras, evite o local e notifique as autoridades sanitárias da cidade.
Sempre que o humano interfere na natureza o resultado é catastrófico. Um exemplo simples e comum a nós todos é a criação de gatos e cães domésticos. Com a sua proliferação e aumento da vida útil, há uma necessidade imensa de produção de ração para a alimentação desses inocentes animais. Mas para que se produzam alimentos para esses animais é necessário que se cultive áreas cada vez maiores para a produção da matéria prima para a produção de ração, o que faz com que essas culturas concorram com a produção de alimentos para humanos. Como é um empreendimento rentável, muitas vezes é melhor produzir para alimentação animal do que humano. E como é sabida, a agricultura é a atividade humana que mais consome água doce.
É um assunto também para nossa reflexão.