Digitalização de documentos e anúncios toscos.

Em 2014, chegou a notícia de que o Arquivo Histórico Municipal da cidade irá digitalizar seu acervo de 900 mil documentos, que cobrem o período de 1857 a 1968. Requerimentos, registros de nascimentos e certidões de óbitos, lançamentos de impostos prediais e cadastros de indústrias e profissões, além de coleções de livros, jornais e revistas. A intenção da prefeitura local é que a papelada, que soma 3,6 milhões de folhas, a maior parte manuscrita, e pesa 7,2 toneladas, comece a passar pelo processo ainda no primeiro semestre deste ano.

Na época a vereadora Gilda Beatriz (PMDB) encaminhou o ofício 96, aprovado pela Câmara local, à prefeitura, pedindo urgência na digitalização e gravação dos documentos. Enquanto o acervo não passa para computadores, é feita a higienização do material para evitar pragas como cupins e brocas, cada folha é limpa com pincéis. “Além da higienização, o manuseio, a armazenagem e o acondicionamento corretos são fundamentais para a conservação”,
O Arquivo de Petrópolis abriga exemplares do ‘Jornal do Comércio’, uma coletânea do jornal alemão ‘Nachrichten’ (Notícias), editado em Petrópolis; coleções de revistas como ‘O Cruzeiro’, , e a ‘A Noite Ilustrada’,; além de almanaques e gibis.
Existem requerimentos inimagináveis feitos por colonos a vereadores antes da instalação da prefeitura. Alguns toscos e ofensivos, e outros engraçados. Havia constantes pedidos de chefes de famílias para mendigar nos finais de semana, para complemento de renda familiar. Vamos a alguns deles.

15/12/1857. Alfinete perdido: Se alguém tiver achado um alfinete de peito com um grande brilhante, perdido entre as ruas D. Afonso, Imperatriz e Imperador e quiser restitui-lo será gratificado.

15/12/1857. Precisa-se de um criado que seja moço, branco ou alemão para acompanhar um moço solteiro.

Em 07/01/1857. Perdeu-se no domingo uma bengala pequena de unicorne, com dois anéis de ouro no castão, no caminho do Itamarati. Quem a achar, entrega-lo nesta tipografia.

Em 17/01/1857 Vende-se um vistoso moleque entre 18 e 20 anos, na Rua do Imperador.

28/2/1858 Avisa-se ao sujeito la do alto, que no dia 25 teve a habilidade de pular pela janela de uma casa e dirigiu certas palavras a uma senhora, de não continuar, do contrario terá seu nome publicado.

01/04/1858 O Sr Zanelli, recém chegado da corte, tem a honra de convidar o respeitável publico para assistir a habilidade de seus ratos, na casa Nova à Rua D. Afonso às 10h da noite.

25/05/1859 Atenção: A pessoa que na noite do dia 17, levou um chapéu de sol novo do Hotel Bragança, sem que fosse seu, e talvez por engano deixando o seu já velho, tenha a bondade de o mandar destrocar no dito hotel e se assim não o fizer, terá seu nome publicado, visto que o caixeiro viu quem o fez.

01/06/1860. O Sr Sebastião Klaeser, cidadão alemão, pede licença para naturalizar-se brasileiro.

01/08/1861 José Antonio de Carvalho propõe-se a iluminar a gáz liquido, todas as lâmpadas que a Câmara colocar, desde o anoitecer até meia noite por mil réis cada.

03/12/1873 José Antonio Ribeiro de Araujo e outros moradores da rua do Imperador, pedem licença para coarar e lavar suas roupas no rio.

25/11/1893 Camilo Gall pede autorização pra instalar um tiro ao alvo na Rua Souza Franco, ao preço de 300 reis por partida, com uso de espingarda. O alvo serão galinhas que uma vez “ofendidas” serão dadas como premio sendo muito utilizado na europa.

19/01/1900 O Capitão Marcolino Rodrigues da Costa Jr, pede licença para estabelecer na cidade corrida de pombos correio entre Petropolis e RJ alegando não se tratar de exploração e sim de um esporte.

23/12/1907 Pantaleão Antonio Loureiro, veterano do Paraguai, com 67 anos, brasileiro, preto, por não poder mais trabalhar, pede licença para esmolar pelas ruas da cidade aos sábados, domingos e feriados.

19/12/1907. Antonio Carnaval pede licença para percorrer as ruas da cidade com seu realejo portátil, executando musicas, sem pagar impostos, visto que é cego.

29/01/1908 Domingos Afonso pede licença para dar espetáculos taurinos em frente ao Hospital S. Tereza

14/01/1929. João Felipe Klippel, pede licença para possuir uma vaca de leite na rua Saldanha Marinho 561

22/01/1939. Alberto Santos Dumont pede licença para possuir um cão de cor amarelada de raça policial.

31/01/1920. Agostim Barrios, artista Paraguaio pede licença para dar um concerto de violão nesta cidade, solicitando alugar o palácio de Cristal para realizar o evento.

Osvaldo Cruz e Alberto Santos Dumont pedem licença para possuírem um automóvel.