Carnaval

Por: Lauro José


Nosso carnaval de hoje, tem outras características. Recordo o carnaval dos anos 50, 60, quando o folião ia para a avenida 15, com toda a família para brincar e encontrar seus amigos.
Hoje em dia, muitos petropolitanos preferem arrumar suas malas e fugir para a praia ou algum lugar sossegado.
Antigamente não. O petropolitano prestigiava o carnaval da cidade, que era sinônimo de festa, alegria, confraternização e muita diversão sadia. A avenida ficava tomada pelo povão que vinha de todos os cantos. Não existiam arquibancadas, era em pé mesmo ou quando as pernas doíam, a gente sentava ao longo do meio-fio para ver os blocos do Sujo, os Caciques do Morim que era esperado com ansiedade por todos, pois suas fantasias eram compostas como que autenticas, incluindo cocar, machadinha, arco e flecha, tacapes, etc. Tinha também o Rancho do amor com suas fantasias maravilhosas, a Escola de Samba Estrela do Oriente, a 24 de maio e tantas outras que faziam o povo delirar de alegria.
Antes dos desfiles, o povo se divertia com a batalha de confetes, as serpentinas que eram jogadas do alto dos prédios e o famoso corso que era o desfile de carros sem capô e nos quais os seus integrantes faziam a batalha dos “limões d’água” que eram na verdade bexigas cheias de água.
Havia ainda o lança perfumes que na época não era proibido até porque seu uso era um inocente banho de perfume nos outros.
Tudo isto abrilhantado pelas bonitas fantasias que cada família procurava exibir: Arlequins, colombinas, princesas, palhaços e muitos outros.
Brincava-se o carnaval com animação e respeito.
E tudo isso era transmitido ao vivo pela Petrópolis Rádio Difusora que tinha seus estúdios em cima da Casa D’Angelo.
Se nas ruas a alegria era geral, nos clubes e salões não era diferente. Havia a matine que começava às 14 horas e terminava no máximo às 18 horas e à noite era a vez dos adultos que se extasiavam com os animados bailes que terminavam por volta das 4 horas da madrugada. Muitos passavam o dia na avenida e a noite nos clubes.
Pouca gente deixava a cidade durante o carnaval, ao contrário, procuravam ao máximo aproveitar a alegria que aqui reinava, sem violência ou indisciplina.