Família Grotz - Parte I


Eu, Anne Grotz, nasci no Quarteirão Woerstadt, atualmente Duarte da Silveira. A casa em que nasci (que ainda existe) fica onde hoje é o Colégio Israelita.
Este quarteirão ainda tem muitas características da época de minha infância principalmente ali naquela área.

As famílias que predominavam, e ainda, é a maioria neste quarteirão, são as dos Noel.
Toda minha historia esta envolvida com estas famílias, (“e como tem historias”!)

O sitio tinha mais ou menos uns 4 alqueires de terras, tinha uma cocheira onde tinha criação de galiiiiinhas, paaaaaatos, marreeeeeeecos, tinha vaquiiiiinhas um boizinho, pooooooorcos, etc. Tinha um grande pomar, 2 grandes hortas, todo nosso sustento eram tirados de tudo que se colhia. Só se ia ao Armazém para comprar cereal, e ainda por cima no caderninho.

Nós crianças fomos educados no modo do sim sim e não era não, e não adiantava retrucar,
não tinha essa de bater pé fazer pirraça como as crianças de hoje, naquele tempo as palmadas e o castigo comia solto. Todos tinham sua obrigação em casa em ajudar nas tarefas, cuidar dos seus pertences, se brincasse tinha que guardar todos os brinquedos que eram poucos pois o dinheiro não dava para se ter “Brinquedos da moda” . Nossas bonecas era feitas de pano velho enrolado ou pedaços de toco de madeira e os carrinhos dos meninos de latas de marmelada. Roupa nova? só no natal, e olhe lá!

As escolas do nosso tempo eram rigorosas, antes de entrar nas salas de aula tinha que se fazer uma fila no pátio bem certinha, onde cantávamos o hino nacional, o hino da bandeira e o hino de Petrópolis. Nas matérias era obrigatória religião e catecismo, pois valia nota. Todos tinha uma caderneta que era anotada as presenças, faltas, os boletins de notas das provas mensais
e a presença de todos os domingos a missa.
As escolas eram distantes e íamos e voltávamos a pé, pois não tinha condução para isso. Ah! Como éramos felizes!

Quando surgiram os primeiros ônibus os bairros passaram a ser conhecidos por números pois os veículos tinham a frente em uma plaqueta com o numero, o nome das ruas e algumas ruas o nome do quarteirão.
Lembro que a primeira linha só ia até o “17” que fica na entrada do Darmstadt (hoje Capela)
onde ainda hoje temos a maior parte do comercio local. Lembro ainda quando o primeiro ônibus foi até o “18” (assim era conhecido o final da Duarte da Silveira) foi uma festa, pois alem uma condução que nos levaria até a Cidade, na entrada da minha casa tinha uma parada.
A ruas não eram calçadas, eram de barro batido quando chovia ficava cheia de buracos e ai é que nós nos divertíamos quando voltávamos das escolas.
Mas, esta fica para próxima.

Anne Grotz