Natal por Hilda Mayworm


Depoimento da Sra. Hilda Mayworm, recordando os natais de sua infância:
1º domingo de advento – dia 30 de novembro de 2008

Início de dezembro, faltavam agora apenas algumas semanas para o grande dia.....
De agora até o Natal, as famílias se preparavam de todas as formas e as crianças não cabiam em si de tanta expectativa.
Logo no início do mês, dia 6 de dezembro, dia de São Nicolau, as crianças ficavam num alvoroço só. Pois são Nicolau ou Papai Noel, visitava todas as casas. Ele vinha pela rua, tocando o sino e parava de casa em casa. Ao chegar, mandava as crianças rezar e eu me lembro bem, apesar de ser muito pequena do medo que sentia. Escondia-me na saia da minha mãe ou debaixo da mesa. E depois de rezar, entregávamos a cartinha com os nossos pedidos. Depois, São Nicolau seguia para outra casa.
Na véspera de Natal, mamãe fazia rosca doce com creme de passas e nozes, cuca de farofa, strudel de maçãs, cuca de banana (Caluncas) que eram uns bonecos com passas formando os olhos e o nariz e a massa era de pão doce, biscoitos de mel e outros confeitados com açúcar colorido.
No dia de Natal pela manhã, acordávamos e corríamos para sal ver os presentes que São Nicolau, Papai Noel ou Cristkind tinha deixado, depois íamos todos à missa e então voltávamos para casa tomar um gostoso café com as cucas.
O almoço era sempre farto, havia carne de porco, galinhas, perús, farofas, maionese, etc.
À noite um café com leite de vaca ou vinhos de jaboticaba, laranja, ameixa, coquinhos e ainda as cucas e os biscoitos.
Vinham sempre as irmãs da mamãe, compadres de meus pais e todos os familiares para cantarmos diante do presépio que meus pais e meus irmãos mais velhos faziam. Também a árvore de Natal que era natural, um cipreste, enfeitávamos com as bolas de jozefar e velas naturais que tínhamos que ficar uidando para não queimar a árvore. Então cantávamos Noite Feliz, Adeste Fidelis e outras canções, primeiro em alemão e depois em português, isto eram mais ou menos umas 20 pessoas. Anos mais tarde meu pai comprou o hamonium Meister que veio do Rio Grande do Sul que ele tocava. O compadre de meu pai Miguel Mayworm que era casado com Dª Georgina Santos Mayworm tocava gaita e eu também. Começávamos às 19,30 e íamos até às 22h.
Era uma noite maravilhosa.
Também no ano novo e no dia de reis, tudo era repetido.
Pena que já não seja mais assim. Talvez no sul do Brasil ainda comemorem desta maneira. Mas eu guardo com saudades estas lembranças da minha infância que nunca vão sair da minha memória.
Desejo a todos um feliz e abençoado Natal, que em nossos corações ainda possamos comemorar da forma mais pura, o nascimento do Menino Jesus.

Hilda e Nilson Mayworm