Os bailes na Colônia


Nos primórdios da colonização alemã em Petrópolis, existia uma grande rivalidade entre os moradores do Bingen e Mosela.
Quando havia bailes no Clube do Bingen no Quarteirão Darmstadt, os moradores do Quarteirão Mosela só podiam frequenta-lo se fossem amigos dos moradores locais e vice-versa. Quando os bailes aconteciam no Clube Harmonia do Quarteirão Mosela, o mesmo acontecia com os moradores do Bingen.
As mocinhas nunca iam aos bailes sozinhas. Estavam sempre acompanhadas dos pais ou de irmãos mais velhos. E quando o cavalheiro de um bairro convidava uma dama de outro para dançar, este precisava de autorização do acompanhante. Se não passasse pela avaliação, a dança não era permitida.
O Sr. Ildefonso Troyack, morador do Quarteirão Darmstadt, também nos contou essa história. Desta vez o baile era no Clube Harmonia no Mosela. Era costume os cavalheiros curvarem-se diante da dama respeitosamente estendendo a mão dizendo: Mademoiselle?
O Sr. Ildefonso, ainda jovem, chegou ao baile, olhou o movimento quando viu lá num canto do salão uma linda jovem sentada sozinha e cabisbaixa e pensou: Vou convidá-la para dançar comigo.
Aproximou-se, curvou-se diante dela, estendeu a mão e cumpriu o ritual: “mademoiselle?”
Mas, para que! A dama pulou da cadeira enfurecida e com o dedo em riste, partiu para cima do assustado Ildefonso dizendo: “Matama da Mosela é a Tiabo que te carregue. Eu ser Matama da Bingen”

História coletada por Anne Grotz, narrada por Ildefonso Troyack