Quem não tem cão...


História coletada por Anne Grotz, narrada por Ildefonso Troyack


Nos tempos antigos como sabemos, tudo era muito mais difícil. Não havia o conforto de hoje. As tarefas diárias eram cumpridas de forma rudimentar, com os meios disponíveis.
Para os colonos se deslocarem de um Quarteirão ao outro, tinham que fazê-lo a pé ou em carroças puxadas pior animais. Alguns tinham cavalos, outros usavam bodes que puxavam carrocinhas em que eram transportadas as mercadorias para serem vendidas ou trocadas.
O Sr. Pedro era um desses colonos. Ele usava bodes para puxar sua carrocinha de leite que era entregue de porta em porta.
Aconteceu que, certo dia ao voltar para casa, soltou os bodes no pasto para que pudessem descansar e se alimentar. Mas, à noite quando foi recolher os animais, procurou em vão. Após horas de busca, constatou que eles haviam sido mortos por uma onça que rondava a região. O Sr. Pedro ficou muito aborrecido pois dependia dos bodes para entregar o leite, que era o seu ganha pão.
Então, montou vigília em suas terras e preparou uma armadilha. E não demorou muito. Conseguiu capturar a onça viva. Então prendeu-a numa jaula e começou a domesticá-la.
Algumas semanas mais tarde observou que estava logrando êxito em seu intento e como castigo para a onça, colocou-a no lugar dos bodes para puxar a carroça de leite.
Dizem que ainda há em Petrópolis, quem se lembra do Sr. Pedro indo de Quarteirão em Quarteirão, entregando o leite de cada dia em sua carroça puxada por nada mais nada menos que uma onça.