Lagarta comedora de plástico contra acúmulo de lixo

Cientistas apostam em lagarta comedora de plástico contra acúmulo de lixo!
(Programa Minutos de Sustentabilidade do A Alemanha e a Música, Radio Imperial de Petrópolis. Pesquisa e compilação de Marcos Carneiro-30 de abril de 2017).

Por que o plástico demora tanto tempo para desaparecer na natureza?
A principal razão é que a natureza ainda não sabe como se livrar dele. “Bactérias e fungos que decompõem os materiais não tiveram tempo de desenvolver enzimas para degradar a substância”, afirma a engenheira química Marilda Keico Taciro, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O plástico é um material novo na natureza – o primeiro modelo surgiu só em 1862, criado pelo britânico Alexander Parkes. Cada uma de suas moléculas possui centenas de milhares de átomos, principalmente carbono e hidrogênio. Como as ligações entre os átomos são muito estáveis, os decompositores não conseguem quebrar o material em partes menores para destruí-lo. Resultado: alguns tipos de plástico, como o PET, usado em garrafas de refrigerantes, levam mais de 200 anos para desaparecer.
“Com a evolução, os microorganismos devem se adaptar, mas isso pode levar milhões de anos”, diz o biólogo José Gregório Cabrera Gomes, também do IPT. Por isso, o descarte de plásticos é uma grande dor de cabeça para os ecologistas do século XXI. O material produz gases tóxicos ao ser queimado e tem reciclagem complicada, porque não se pode misturar diferentes tipos de plástico. O jeito é desenvolver modelos biodegradáveis como o PHB, que, em aterros sanitários, vira pó em apenas seis meses. Mas esses ainda custam caro – até cinco vezes mais que os convencionais – e, por isso, respondem por apenas 1% do total de plásticos vendidos no mundo.
Mas agora esse problema parace estar prestes a ser resolvido através de recursos naturais. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram que a larva de mariposa, que se alimenta da cera da colmeia de abelhas, também pode degradar plástico.
Uma lagarta que come sacolas de plástico pode ser a chave para combater a poluição ambiental, dizem cientistas.
Experimentos mostraram que o inseto pode quebrar as ligações químicas do plástico de forma semelhante à digestão da cera de abelha.
Por ano, cerca de 80 milhões de toneladas de polietileno são produzidas no mundo. Esse tipo de plástico, comum em material hospitalar e embalagens domésticas, leva cerca de 50 anos para se decompor na natureza.
Entretanto, as lagartas de mariposa (Galleria mellonella) podem fazer buracos na sacola de plástico em menos de uma hora.
O bioquímico Paolo Bombelli, da Universidade de Cambridge, é um dos pesquisadores do estudo publicado no periódico científico Current Biology.
“A lagarta é o ponto de partida”, disse Bombelli à BBC News. “Precisamos entender os detalhes de como o processo ocorre. Esperamos ter uma solução técnica para minimizar o problema do acúmulo de resíduos de plástico.”
A descoberta é de Bombelli, em parceria com Federica Bertocchini, da Espanha. Com o trabalho, eles querem desvendar o processo químico por trás da degradação natural do plástico.
Eles dizem acreditar que os micróbios da lagarta – assim como do inseto em si – possam desempenhar um papel na degradação do plástico. Se o processo químico for identificado, ele poderia colaborar com o problema do acúmulo de plástico no ambiente.
“Planejamos implementar essa descoberta numa maneira viável de nos livramos dos resíduos de plástico, trazendo uma solução para salvar nossos oceanos, rios e todo o meio ambiente das consequências inevitáveis do acúmulo desse material”, disse Bertocchini.
“Entretanto, não deveríamos sentir que podemos deliberadamente jogar polietileno no nosso ambiente simplesmente por que sabemos agora que temos como degradá-lo”, acrescenta. (Fontes:Mundo Estranho e Ambientebrasil)