Por que do calo nesse início de verão?

Antes que surjam aqueles comentários “é o efeito estufa do aquecimento global”, meteorologistas explicam porque tem feito tanto calor nos últimos dias.(A Alemanha e a música do dia 01/01/2017)

Termômetros disparando, praias lotadas e muita gente aproveitando – ou reclamando – do calor. Os últimos dias têm sido de altas temperaturas em várias cidades brasileiras.
O Rio de Janeiro, por exemplo, teve na terça-feira (27) o dia mais quente do ano, com temperatura máxima de 42,3°C e sensação térmica de 47,7°C. Já São Paulo registrou a madrugada mais quente do ano, com temperatura mínima de 23,7°C. Cidades mais ao sul, como Curitiba e Porto Alegre, também tiveram uma madrugada e uma tarde mais quente do que o normal.
Segundo meteorologistas, o calor em dezembro vinha sendo até agora o esperado para esta época do ano, mas, terça-feira (27), foi atípico em várias cidades, principalmente na área litorânea entre Florianópolis e o norte do estado do Rio de Janeiro.
A meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo, explica que desde o fim da semana passada ganhou força no país o sistema de alta pressão atmosférica conhecido como ASAS (Alta Pressão Subtropical do Atlântico Sul), que funciona como um bloqueio para frentes frias e contribui para o aumento das temperaturas. “Esse sistema reduz a nebulosidade, a umidade e a chance de se formarem nuvens de chuva. A consequência natural é o aumento do calor”.Já o calor “excepcional” de terça , 27, se deveu à combinação de uma série de fatores, explica a especialista. “Além do sol forte, houve a presença de ventos quentes o dia inteiro, que vieram do interior do país em direção ao litoral”, diz.
Outro causador do calor extremo é o chamado aquecimento adiabático, um processo físico em que os ventos que descem as montanhas recebem um aquecimento adicional.
Como exemplos de calor atípico, Josélia cita que Curitiba registrou a madrugada mais quente do ano passado no dia 27 de dezembro, com temperatura mínima de 21,8ºC. Em Curitiba, a tarde desta terça foi também a mais quente do ano, com máxima de 33,7ºC, enquanto o litoral do Paraná registrou 39,9ºC durante o dia e Florianópolis, 37,3ºC.
Segundo Caroline Vidal, meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe, o aumento das temperaturas tem sido notado em todo o Brasil. “A maioria das capitais tem registrado acima de 30 graus. Curitiba, que é uma das mais frias, teve mais de 33 graus hoje. Porto Alegre registrou 37 graus no dia 27”, enumerou. “A região Norte é a que tem tido as menores temperaturas, por causa das chuvas.”
Já em São Paulo, a temperatura registrada na segunda-feira dia 26 passado foi de 34ºC, um pouco maior do que a máxima de dezembro de 2015, de 33,5ºC.
A meteorologista diz que, no geral, esse calor é esperado nesta época do ano, e que um dos fatores que fazem subir as temperaturas é a atuação de um anticiclone, que inibe a formação de nuvens de chuva e colabora para o calor.
Verão deve ser menos quente – Para quem está cansado das altas temperaturas, uma frente fria deve trazer algum alívio na quinta-feira desta semana. Mas, como ela é fraca e vai passar longe do continente, a diminuição do calor deve ser ligeira, de poucos graus. Mas a temperatura deve subir novamente, e a virada de ano promete ser quente em várias cidades.
Mas isso não vale para todo o verão. A previsão para a estação como um todo é de predomínio de temporais e temperaturas mais amenas em relação aos anos anteriores.
Segundo o Climatempo, a maior parte das chuvas se concentrará em janeiro e fevereiro e o verão terá o predomínio do fenômeno La Niña, que mudará o cenário em comparação com o verão anterior, quando choveu mais no Sul e fez muito calor em todo o Brasil.
De acordo com o CPTEC, a previsão para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2017 é de temperatura normal no Sul e no Sudeste e normal a acima da média no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. (Fonte Climatempo/CPTEC e Ambientebrasil, catalogado por Marcos Carneiro).