Ao comunicador

É noite. Na rua quase deserta, sombras caminham apressadas. Poucas réstias de luz falam de uma população que dorme, enquanto uns poucos vigiam à espera do sono que tarda ou, em ânsias, vendo-se incapazes de dormir, por emoção, talvez, ou inconfessado sofrimento.


E a noite se agiganta, silenciosa, escura, na dolorosa cumplicidade que as trevas criam.


De repente, irrompe no ar uma voz amiga...


É a mesma que ouvira já tantas vezes, fielmente a provar que uns poucos são solidários e sabem preencher os vazios que se criam no coração do homem.


De repente, já não estou sozinho! Já não sinto o peso da escuridão lá fora (e cá dentro, no íntimo de minh’alma)


Um amigo está comigo! Sua voz se materializa...... Carrega canções, palavras, poemas, conselhos....à ela se juntam muitas vozes e, num largo espaço de tempo, a madrugada caminha enternecida, embalada ao som que nasce de uma engenhosidade humana: o rádio, mas que só se faz verdade porque carrega o tesouro da disponibilidade contida na voz, no tempo, na renúncia, no querer de um comunicador!


Abençoada fidelidade, feita de renúncias às horas mais gratas. Abençoadas mensagens que varam a madrugada. Abençoado sejas comunicador, pelo teu incessante e duradouro caminhar pela noite afora, portando a bandeira consciente do amor à causa abraçada, sabendo-se luz para tantos caminhos e esperança para tantos desenganos.


Abençoado sejas nesse permanente alerta...


Como tudo começou:


Nascida em Blumenau/SC, no bairro de Itoupava Central numa família descendente de alemães, onde a língua materna era o alemão e em casa, ou com os vizinhos, parentes e no comércio local só se conversava em alemão e morando algum tempo em Lontras e Ibirama onde os costumes não eram diferentes, só aprendi a língua portuguesa aos 6 anos de idade no colégio, onde todas as professoras tinham que ser bilíngues.


Minha mãe desde sempre ouvia a Rádio Clube de Blumenau, em especial os programas alemães.