A SUBIDA DA SERRA DA ESTRELA ANTES DA FUNDAÇÃO DE PETRÓPOLIS (I)

A SUBIDA DA SERRA DA ESTRELA ANTES DA FUNDAÇÃO DE PETRÓPOLIS (I)

"A Serra da Estrela, onde se encontra Petrópolis, era praticamente desconhecida pelos colonizadores portugueses nos primeiros 200 anos de colonização, salvo por alguma expedição exploratória para tomar posse de sesmarias. Isso, por causa do enorme paredão montanhoso de mais de 1000m de altura que tinha que ser vencido para se chegar até lá; e, também, pela presença dos bravios índios Coroados que habitavam serra acima. Ali não havia atividade econômica. Somente quando os bandeirantes paulistas descobriram ouro nas Minas Gerais é que foi aberto o Caminho Novo, em 1704, para facilitar a viagem até as vilas mineradoras. O caminho era 'novo' porque havia um outro, o 'velho', desde meados dos anos 1600, muito longo e de difícil trânsito, aberto pelos próprios bandeirantes, constituído de trilhas e picadas até as minas de ouro.
É impossível pensar Petrópolis, Juiz de Fora, Barbacena, São João Del Rei e Ouro Preto sem antes pensar o Caminho Novo. Também não dá para entender Petrópolis sem a subida da Serra Velha, por onde vieram os nossos pioneiros colonizadores. Conhecer esses caminhos é conhecer 300 anos da nossa história, que começou em 1724 quando Bernardo Soares de Proença abriu a variante do Caminho Novo, passando pelo alto da serra onde hoje está nossa cidade".

Postado por Memória da Colonização Alemã em Petrópolis

ANTIGOS CAMINHOS PARA A FAZENDA DO CÓRREGO SECO, FUTURA IMPERIAL COLÔNIA DE PETRÓPOLIS - DADOS E ITINERÁRIOS DO CAMINHO VELHO, DO CAMINHO NOVO E DA VARIANTE DO CAMINHO NOVO (RESUMO)

1. CAMINHO VELHO:

a) data de fundação e autoria: meados de 1600 - bandeirantes;

  1. b) itinerário:

    1) de São Paulo: Piratiniga > Taubaté > subida da Serra da Mantiqueira > São João del Rey > Vila Rica (Ouro Preto) > Caetés > Sabará > extensões para Tijuco (Diamantina) > Jaguará > Fazenda Meia Ponte (Pirenópolis);

    b.2) do Rio de Janeiro: barco até Paraty > subida e descida da Serra do Mar até Taubaté > Caminho Velho;

    c) tempo de viagema partir do Rio de Janeiro: 99 dias, 43 a pé ou a cavalo;

    2. CAMINHO NOVO:

    a) data de fundação e autoria: 1704 - Garcia Rodrigues;

    b) itinerário: porto do Rio Pilar, aos fundos da Baía de Guanabara > subida da Serra do Mar na altura de Xerém > Marco da Costa > Paty do Alferes > Paraíba do Sul > Juiz de Fora > Barbacena;

    c) tempo de viagem: 20 a 30 dias (1/3 de redução do Caminho Velho);

    3. VARIANTE DO CAMINHO NOVO (CAMINHO DO PROENÇA OU CAMINHO DE INHOMIRIM):

    a) data de fundação e autoria: 1724 - Bernardo Soares Proença;

    b) itinerário: Porto da Estrela no fundo da Baía da Guanabara (atual Praia de Mauá) > rio Inhomirim > Serra da Estrela (Serra Velha) > Alto da Serra > Rua Tereza > Fazenda Córrego Seco (atualmente Edifício Pio XII na Rua Marechal Deodoro) > Estação de Transbordo Imperatriz Leopoldina (antiga Estação Ferroviária com o mesmo nome) > Rua Silva Jardim > Quissamã > Estrada Mineira > Distrito de Correias > Distrito de Pedro do Rio > Secretário > Freguesia de Santana de Cebolas (atual Distrito de Inconfidência, em Paraíba do Sul) > Caminho Novo em Paraíba do Sul;

    c) tempo de viagem: apenas 10 dias.

    CONCLUSÃO: Deve-se a Bernardo Proença a existência de Petrópolis, pois,

    "se ele não tivesse aberto a Variante do Caminho Novo passando pelo Córrego Seco, todo o desenvolvimento da nossa região teria acontecido no eixo Xerém-Paty do Alferes-Miguel Pereira-Paraíba do Sul, que era o traçado original daquela via feita por Garcia Rodrigues Paes",

    e "foi por ela que, em 1827, Dom Pedro I levou sua filha princesa Dona Paula, de sete anos, muito doente, para se recuperar em Correias, onde acabou comprando a fazenda do Córrego Seco. Doze anos depois seu filho Dom Pedro II fundaria no local a cidade de Petrópolis. Não fosse a variante, Pedro I teria levado a sua filha para Miguel Pereira ou Paty do Alferes, que também têm ótimo clima e ficavam no caminho da antiga subida do Caminho Novo por Xerém".

Postado por Memória da Colonização Alemã em Petrópolis

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